Entrevista no Blog Malkavianos RPG

Olá Rolistas!

Pra iniciar o ano, divulgo aqui a entrevista sobre o Violentina e que rolou com o Ailson Lima, do blog MalkavianosRPG.

Aproveito pra deixar meus agradecimentos pelo espaço, apoio e disposição que os Malks ofereceram! Valeu demais!

Eduardo Caetano fala sobre Violentina

Tarantinesco, é assim que posso definir o estilo de Eduardo Caetano, autor de Violentina e amante de um tipo de cinema onde a violência é arte e música. Repleta de referências de filmes comoRocknRolla e Pulp Fiction, a obra de Caetano é um marco na história do RPG Nacional. Não estou exagerando, a experiência com o financiamento coletivo servirá de exemplo para os próximos autores. Estive fuçando a obra do cara desde o inicio do ano e com o lançamento do livro físico chegando, resolvi procurar o Eduardo para que ele respondesse algumas perguntas para vocês. Notei muita simpatia e boa vontade, mas acima de tudo: o cara sabe o que faz e fez um RPG com a cara dele, mas que será a cara de muitos RPGistas no Brasil. Sem mais firulas, pois isso não combina com a matéria, com vocês o Tarantinesco Eduardo:
Quanto de Tarantino, Guy Ritchie e Frank Muller tem em Violentina? Esses diretores te inspiraram de que forma?

Huummm… 60% do Tarantino, 35% do Ritchie, 2,5% do Miller e 2,5% de uma salada de frutas podres do cinema apelativo (Exploitation) dos anos 70! 

Como jogador de RPG, gosto de perceber a maneira como as pessoas contam suas histórias, ou como e o porquê de elas conseguirem ser boas nisso. No caso do Tarantino, o cara consegue contar histórias sobre glamourização da violência de uma maneira muito específica, frenética, não-cronológica, não focada nos (geniais) personagens, e sim na relação entre eles. 



Sem contar que ele bota no liquidificador uma porrada de referências pop, quase kitchs, e que a princípio não teriam relação nenhuma uma com a outra. Acho isso genial. Por que me diverte, me entretém. Tanto, que me provocou a vontade de criar um jogo inspirado nestes aspectos.

Já Guy Ritchie faz algo semelhante, mas com um formato diferente, mais videocliptico, preocupado com uma verosimilhança, e não menos genial. Conta histórias sobre como as atitudes ganaciosas de gangsters wannabes ingleses desencadeiam situações absurdas e com consequências ironicamente catastróficas. 


As histórias de Ritchie possuem um aspecto mais catártico. O que acredito ser um bom ingrediente pra mistura.Sou muito fã de Demolidor, mas eu não conheço a fundo a obra de Miller (a não ser pelo que se filmou dele), e se houve alguma inspiração, com certeza foi esteticamente. Dou muita importância a experiência estética nas coisas que faço ou experimento, portanto provavelmente Frank Miller está de alguma forma implícita na parte gráfica do livro. Mas acho que a principal inspiração consciente veio de um quadrinista tupiniquim, o Greg Tocchini, (que na época da Dragão Brasil era conhecido como Evandro Gregório). O trabalho dele evoluiu constantemente ao longo dos anos, mas eu tenho um apreço incomensurável pelos primeiros desenhos dele, o traço cru em alto contraste de luz e sombra, preto no branco, naquim chapado.Tenho um fetiche obsessivo com livros, como objeto físico. Queria evidenciar isso na experiência tátil do Violentina, da textura do papel e da tinta sobre ele. Espero ter conseguido.

Qual filme você viu e disse: quero fazer um RPG sobre isso!

Cara, com certeza foi Pulp Fiction!

 Assistindo ao filme, eu ficava sempre me perguntando em como seria possível transferir a experiência de assistir Pulp Fiction pra mesa de jogo, pois acreditava que esta poderia ser inclusive mais intensa, uma vez que ela não seria a princípio, somente “consumida”, e sim produzida coletivamente. 

Estando fascinado com as discussões teóricas de RPG Indie da última década, tendo experimentado jogos com formatos mais audaciosos (como Fiasco, A Penny for my Thoughts, Shotgun Diaries, etc…), e meio que estar “estudando” a forma que estes jogos foram desenhados para cumprirem o papel a que se propunham, foi só somar dois mais dois na minha cabeça pra fagulha de tensão criativa incendiar minha mente.Então me propus a fazer isso. Um RPG que transportasse histórias Tarantinescas da tela do cinema, para a mesa de jogo. Mas não foi de uma hora pra outra. Os fatores foram se somando ao longo do tempo, até eu sentar a bunda na cadeira pra escrever alguma coisa. Enquanto eu ia revendo Snatch, e me divertindo pra caralho com o revival Grindhouse do Robert Rodriguez, eu ia confirmando e sedimentando a idéia: “Há, isso se encaixaria bem no jogo… Isso também!”ou “Isso daria uma boa mecânica!



Como foi a experiência de lançar um livro através do financiamento coletivo?

Cara, tem sido intenso!

 Eu e o Rocha, da Secular ainda estamos imersos no meio do processo (no fim na verdade), e ainda estamos digerindo as coisas. Mas já dá pra afirmar algumas coisas.Talvez o nosso principal macro-objetivo era testar o formato, ver se era viável, e abrir mais uma porta cheia de possibilidades para o hobbie no Brasil. 



Acredito que a experiência se confirmou bem sucedida e podemos dizer que financiamento coletivo é uma alternativa muito interessante de publicação de RPG por aqui. Dá pra dizer que é algo que vale a pena, sem riscos e que pode inclusive potencializar seu produto, seu jogo, se você buscar explorá-lo nessa direção, como uma ferramenta.


Violentina segue a linha de novos RPGs como FIASCO, apresenta vários itens como cartas, brindes diversos e pode ser jogado sem mestre. O RPG está pendendo para esse novo estilo?

Não acredito que o RPG caminhe necessariamente nesta direção.

Na forma como vejo, acho que apenas estamos explorando outras formas ou novas formas de abordar o hobbie. Nessa busca, por vezes esbarramos em jogos similares, que estão ali colados no hobbie, jogos de tabuleiro, jogos de cartas, brincadeiras de infância, etc. Exploramos o potencial de suas mecânicas e acabamos por borrar os limites que os separam. Acho muito válido. Isso sim pra mim é exaltar a máxima que diz: “Não importa como é feito, desde que você esteja se divertindo”.Por isso que jogos como Fiasco nem são considerados RPG por alguns, mas inevitavelmente acaba sendo um jogo praticamente só de rpgistas. Pois no final das contas, são ramificaçnoes de um tronco comum. 



Em uma analogia tosca com o universo da música, é como se Fiasco por exemplo fosse Punk, o Burning Wheel mais Heavy Metal, o GURPS um Progressivo… Mas todos acabam sendo derivados da mesma raiz: o bom e velho D&D Rock n’Roll. 


 As novas vertentes não virão pra substituir as velhas. Elas virão acrescentar mais opções, ao variado leque de possibilidades.O RPG é uma mídia muito flexível, que nem sabemos ainda ao certo, o limite de sua elasticidade. Algumas pessoas se predispõem a testar estes limites, explorar seus potenciais latentes, obscuros.  E com a internet, não existem mais empecilho pra conectar estas pessoas, de interesses rpgístico específicos em comum. Então a produção de conteúdo novo e original se intensifica. A informação se espalha facilmente, e uma boa ideia nova vira notícia, dando a impressão de isso é “a nova onda do momento”. Mas os grandes bestseller ainda são os mesmos. D&D, Vampiro, Tormenta, etc tem tiragem a cima dos milhares de livros. Fiasco, 3:16, Violentina, ainda estão longe de justificarem tal tiragem. Se considerarmos que RPG é uma mídia de nicho, estes indies seriam nicho do nicho. Acredito que esse cenário ainda permanecerá por muito tempo, e não acho isso ruim, de maneira alguma. O legal, é que agora começamos a ter mais opções na cena nacional, e não dependemos de uma produção centralizada, nuclear, pra termos acesso aos jogos que queremos consumir.


Quanto a questão da variedade dos acessórios, Violentina por exemplo foi concebido pra se jogar com o mínimo de acessórios possíveis, apenas um par de baralho, lápis e papel. Acontece que mesmo assim, caso você deseje, o jogo permite se utilizar de uma gama de bugigangas, para cada um de seus aspectos. Nós jogadores gostamos destes “props”. São objetos de fetiche, de coleção, de focalização, de imersão e intensificação da experiência de jogo. Isso foi explorado durante a campanha de financiamento coletivo, oferecendo inúmeros acessórios exclusivos, como uma espécie de presente de agradecimento a quem contribuiu com a viabilização do jogo.

Durante a fase de captação de recursos para o livro, você recebeu a ajuda da comunidade RPGistica. Como foi isso? Você esperava essa campanha?

Não esperava, de forma alguma! Mas tenho certeza de que isso só foi possível graças a parceria com a Secular. 
Em resumo, o processo se deu mais ou menos assim:Durante a RPGCon 2011, a fim de tentar divulgar a idéia, deixei no stand da editora dez cópias impressas de rascunho da versão de playtest e uma centena de folders, explicando o jogo e como queria bancá-lo com o finaciamento coletivo. Esta versão do livro acabou em duas horas, o que pra mim foi surpreendente e estimulante. Logo na semana seguinte, já havia um burburinho sobre o jogo pelos blogs que cobriram o evento.Uma semana antes do início da campanha, o Rocha enviou um pré-release do jogo e da campanha para vários blogs parceiros, e estes começaram a divulgar. Acredito que foi aí o ponto fundamental desta ajuda. Pois na semana seguinte, batemos a meta da campanha em menos de quatro horas. Isso só pode ter sido resultado desta divulgação prévia, desta ajuda da comunidade. A partir de então, o próprio fato de termos atingido a meta tão prematuramente se tornou a notícia pertinente a se espalhar, gerando uma reação em cadeia, nos trazendo ao ponto atual.



Violentina portanto, é um produto resultante desta ação coletiva da comunidade Rpgística. Ela recebeu o dedo de centenas de pessoas. Me chame de corno quiser, mas tenho orgulho de afirmar que Violentina não me pertence, não tenho ciúmes desta vadia. Abri as pernas e a entreguei pra todo mundo que desejasse por as mãos nela. E não tem como eu ser mais grato por isso.

Soube que você tem testado vários RPGs Indies gringos e nacionais. Explica pra gente o que é indie e indica um para os leitores do blog.

RPG Indie é um termo tão controverso, que vou dar apenas a minha visão pessoal da parada toda, ok?Acredito que “Indie” pode ser aplicado a diversas esferas do hobbie. Eu aplico o termo a três questões que são meio indissociáveis e que se permeiam entre si. É a questão da Editora, da Autoria e do Conceio.A princípio, por ser uma abreviação em inglês de independente,Indie remete a ideia de fazer um jogo sem depender de uma editora, pra produzir, divulgar e o vender. Portanto esta seria a aplicação do aspecto Editorial do termo. 



O jogo Indie Autoral, seria aquele em que o autor tem completo domínio sobre seu conteúdo, sendo ou não lançado através de uma editora, e cujo conteúdo pode ser tanto original, quanto uma repetição da mesmice. O lance aqui, é que o autor dita as regras, e portanto é “independente”.

Já o aspecto Conceitual diz respeito ao próprio conteúdo do jogo. Ele pode tanto ter sido produzido pela MegaEditora™, em capa de couro, com páginas folheadas a ouro, quanto xerocado na garagem de casa e distribuído no sinal, não importa. Se o seu conteúdo diverge do que já existe no mercado, questiona o próprio hobbie, propõe novas formas de encarar o jogo e mesmo de joga-lo, ele acaba podendo ser considerado Indie, pois o seu conceito foge do mainstream.

De qualquer forma, acho que mais do que remoer esta definição, o importante é jogar, experimentar e se divertir, sem se preocupar se este ou aquele jogo é melhor ou pior do que o outro, se este é ou não RPG. Definir Indie só importa na medida em que a definição potencializa a sua experiência de jogo. Caso contrário, deixa pra lá… =]

Quanto a indicação de um jogo… hum… putz! São tantos pra indicar! 


Mas se for pra escolher um específico, sugiro então o Abismo Infinito, do John Bogéa. Ele reúne praticamente todas as qualidades que eu procuro num jogo Indie, tem mecânicas enxutas mas bem focadas e um cenário fantástico de Horror Psicológico Espacial Lovecraftiano. Além de ser gratuito! =]

Qual a previsão de lançamento do livro físico de Violentina e como podemos adquirir um exemplar deste novo RPG?

A previsão é de que a Secular Games comece a venda ainda este ano, antes do Natal e poderá ser adquirido na loja virtual da editora: 

Os números de 2011

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2011 deste blog.

Aqui está um resumo:

Um comboio do metrô de Nova Iorque transporta 1.200 pessoas. Este blog foi visitado cerca de 6.700 vezes em 2011. Se fosse um comboio, eram precisas 6 viagens para que toda gente o visitasse.

Clique aqui para ver o relatório completo


Violentina: A Versão Final de Playtest!

Olá Rolistas!

Finalmente está pronto a versão final de playtest do Violentina!
Para fazer o download, basta clicar no botão abaixo e postar um Tweet:

Você também conferir pode conferir na página do jogo, aqui.

Passamos o últimos mês terminando de testar e reformular as regras, diagramar, revisar texto, termos e convenções daquela primeira versão liberada na ocasião da III RPGCon.

Se você se interessou pelo jogo, vale a pena dar uma nova olhada, pois muita coisa foi aprimorada e incrementada. Esta nova versão está bem mais completa, compreensível e didática.

Além disso, foram incluídos no corpo do livro:

  • Exemplo completo de Sessão de Jogo ;
  • Algumas Dicas para potencializar a experiência do jogo;
  • Regras Alternativas;
  • Quadro e Gabaritos reformulados e diagramados para o tamanho correto (você pode encontrar seus respectivos PDF`s para download aqui.)

Acesse, baixe, confira e me diga o que achou!

Sua participação vai ser imprecindível na manutenção deste projeto. Sempre!


Violentina: Agradecimentos pelo sucesso da campanha

(Texto adaptado do e-mail enviado aos Colaboradores, e já com um certo atraso...)

Olá Rolistas!

Desde o final de Agosto estamos em uma correria louca para terminar a produção do Violentina e das várias recompensas legais que rolaram com exclusividade na campanha de financiamento

Mas no meio de todos orçamentos, revisões, correções e contas, tirei um tempinho para gravar um vídeo de agradecimento a todos os colaboradores que tornaram o Violentina uma realidade, e no meio dos palavrões, dar notícias de como anda a produção do jogo!

E essa é apenas a primeira novidade de Setembro! Estamos prestes liberar a versão final (e ainda gratuita) da cópia de playtest do jogo, e já começamos o processo de diagramação da versão final do livro, cujo PDF será enviado aos colaboradores ainda nas próximas semanas. Estamos dentro do nosso cronograma original, e acreditamos que os livros físicos assim como todas as recompensas, sejam enviadas aos colaboradores ainda na primeira semana de Dezembro.

Segue anexo o vídeo de Agradecimentos:

Agradecimentos do autor pelo incentivo e apoio da comunidade de jogadores de RPG, permitindo a viabilização e publicação independente do Jogo de Contar Histórias Violentina.

Mais informações:

SECULAR GAMES

http://www.secular-games.com/

ROLISTA INDEPENDENTE

http://rolistaindependente.wordpress.com/

MOVERE

http://movere.me/exibeProjeto.do?id=29


Violentina: Atualização#2 – 2°Semana, fase 2

Olá Violentistas… errr, quer dizer, Rolistas!

=D

Estes post é a segunda parte de uma série de quatro, que visa fornecer minha visão pessoal e registrar as quatro semanas da Campanha de Financiamento Coletivo do Violentina. A primeira parte você pode conferir aqui.

Muita coisa aconteceu durante a segunda semana. Nos surpreendemos muito novamente, e oferecemos diversas novidades. Já estamos quase completando a terceira, e portanto, já passa da hora de tecer meus comentários e observações, contar sobre a minha percepção, agradecer profundamente e registrar de forma minimamente sistemática, o que tem acontecido. Vale notar que aqui eu assumo um caráter bem pessoal, e que para complementar  estas informações com dados mais estatísticos, vale a pena conferir o post do Rocha na Área Cinza, sobre a Segunda semana do Violentina.

Alguns Números…

Ao fim do último post, nosso bimotor havia acabado de alcançar os 4.000 metros de altitude. Comemoramos liberando novas recompensas para os incentivadores. Estávamos esperançosos e na expectativa do que faríamos se alcançássemos os R$5.000,00…

Nem deu tempo de prepararmos algo para quando alcançássemos a marca dos 5k. Portanto disparamos como estratégia e agradecimento, mais 15 Violentinas no Caixão, 5 por segunda-feira restante, e uma Maleta Chumbada para a última. A fim de nos preparar para possíveis novas surpresas boas, decidimos estipular de uma vez os bônus para as recompensas caso atinjamos novos múltiplos de nossas metas iniciais.Então ficamos assim:

R$6.000,00

Nesse momento, enquanto escrevo a campanha está estável, faltando 8 dias para o fim da campanha, com exatos R$6.682,00, e alcançado 334% da meta inicial.

Pelo marco de triplicarmos a meta inicial, foi possível dispararmos os seguintes bônus para as recompensas:

  • O arquivo em PDF das Cartas Personalizadas, que será utilizado em sua confecção, para todos os Colaboradores;
  • Um Guia Passo-a-Passo impresso, com o Resumo das Etapas para auxiliar os jogadores sem precisar recorrer ao livro, para quem contribuiu com R$25,00 ou mais;

Agora… se por acaso atingirmos a marca de R$8.000,00, vamos liberar:

  • Arquivo digital de TODAS as imagens internas do livro em alta resolução e abertas pela Creative Commons, para todos os colaboradores;
  • Um Poster de Filme Fake, no maior estilo GrindHouse, impresso em A2, com com a opção de escolha de uma das artes que abrirão os capítulos do livro, para quem contribuiu com R$35,00 ou mais;
  • Uma mixtape especial, carregada no setentismo do funk, soul e samba-rock feita exclusivamente para o Violentina pelo nosso DJ e secular residente Garrell, liberada gratuitamente para todos, mesmo quem não contribuiu com a campanha

Divulgação

Durante a segunda semana, a blogosfera estava bem mais calada e provavelmente ressacados de Violentina, mas mesmo assim  houveram alguns casos que nos surpreenderam ao mostrar até onde o buzz da campanha poderia chegar com o apoio da comunidade.

Conversa com Jogador sonhador

Na primeira sexta-feira após início da campanha, bati um papo super legal com o Ricardo Tavares, de Alcunha Jogador Sonhador, na qual o foco principal foi Game Design, com o Violentina de exemplo. Junto com o PodCast + RPG, os dois podcasts formam uma excelente e completa introdução para quem está curioso e interessado em Violentina. Vale a pena conferir!

Jogador Sonhador #43 – Olhando as Nuvens: Violentina (com Eduardo Caetano)

Orkut:

Qual foi a minha surpresa ao acordar de manhã e ao acessar a página do RPG Brasil no Orkut, e dar de cara com a logo do Violentina na capa da comunidade! Dado o tamanho da comunidade, esse foi um apoio incalculável para o Violentina.

Jovem Nerd:

Logo em seguida, a surpresa veio com a descoberta de uma divulgação do pré-realease no Jovem Nerd News, possibilitando um alcance de uma fatia beeem maior do público nerd em geral. Mesmo o release estando de certa forma duas semanas atrasadas, e ter possibilitado alguns posts equivocados em outros sites – houveram blogs que divulgaram que o sucesso da campanha deveu-se graças a notícia do JN, o que não é verdade, uma vez que quando ela foi ao ar, já estávamos dobrando a meta – o impacto da notícia foi indiscutível, e durante o dia em que o post foi ao ar, notamos o acréscimo de cerca de uma dezena incentivadores. Portanto somos profundamente gratos pela divulgação e exposição que o post nos forneceu, nos deixando honrado com o espaço e embasbacados com o potencial de onde a campanha poderia ainda chegar.

Além disso, fomos agraciados em ser assunto no primeiro Vlog do ValeRPG, o Roll the Dices:

Quero jogar RPG:

Dia 13 de agosto rolou junto a JediCon, o 16° Quero Jogar RPG, e portanto fui mais uma vez prestigiar o evento e apresentar o Violentina para novos jogadores, bem como continuar testando-o o máximo possível. A Trama foi divertidíssima, na mesa um grupo de jogadores bem heterogêneos e a frase do dia, inesquecível: ” Pô Amor!!! Você tá me traindo com um mendigo?!?!?”, dão uma sugestão de como foi o dia.

Daqui para frente

Eu e o Rocha nos reunimos nesta sexta a noite, tradicionalmente no boteco, movidos a cerveja, para decidirmos o cronograma de todos os passos que devemos tomar daqui pra frente, até que você receba suas recompensas em casa.

Até o fim da Campanha, o arquivo de Rascunho para Playtest do livro sofrerá mais uma atualização, com correções de erros, modificações na ordem da diagramação e agregação de mais conteúdo (como exemplos de jogo e a transcrição de uma Sessão de Violentina, e se possível, infográficos auxiliando a compreensão de algumas mecânicas), novamente disponibilizado para download gratuitamente para toda comunidade.


Violentina: Atualização#1 – 1°Semana, fase 1

Wow…

…olá rolistas.

O.o

Demorei demais pra dar o devido feedback  sobre o que houve nas duas últimas semanas, mas finalmente aqui estou eu, numa pequena pausa da bendita arquitetura pra falar um pouco  da minha experiência recente com o Incentivo Coletivo do Violentina.

Este post é antes de tudo uma tentativa, pouco eficiente, de agradecer a toda a comunidade de colaboradores, que acreditaram, pagaram pra ver, apostaram na gente e permitiram que a campanha fosse bem sucedida, possibilitando a realização do jogo.

Neste exato momento acabamos de romper a barreira dos 4KR$ [4.015,00R$], 200% da meta. 52 pessoas dispostas a apostar em nós.

Mas como isso aconteceu? Vou tentar descrever minha visão das coisas.

Fase #0 – Pré Release

Uma semana antes do lançamento, o Rocha liberou o pré-release do jogo para a comunidade.

Os sites e blogs deram uma força incomensurável e rapidamente havia uma porrada de posts espalhados pela rede [28 que conseguimos rastrear até agora + 17 na fase #2], e o passarinho do twitter não parava de piar “Violentina”.[Peço aqui minhas desculpas se floodei alguém de retwitts, mas eu precisa arquivar aquilo de alguma maneira...]

Foi muito empolgante e meio surreal acompanhar a movimentação toda da galera pra divulgar a parada.

Enquanto isso, eu tentava desesperadamente arrancar algum caldo do meu MacBook G4 pra finalizar o vídeo, mas ele não aguentava. Tive de me desdobrar pra renderizar alguma coisa. O resultado é o vídeo que está no movere:

ViolentinA from movere.me on Vimeo.

+RPG podcast:

Na véspera do lançamento, domingo, eu e Rocha participamos , de um bate papo super legal e instrutivo sobre as nossas intenções com o pessoal da Aliança RPG: o Marcos Silva e o Danielfo do Pensotopia, e o Ricardo Tavares do Jogador Sonhador. Recomendo imensamente àqueles que tem curiosidade de saber um pouco mais sobre nosso planos prévios, darem uma conferida e ouvirem o + RPG Podcast, novo projeto do Marcos:

Ali discutimos um pouco sobre as decisões que tomamos, a escolha das recompensas, como a parceria com a Secular Games veio a acontecer, um pouco sobre o jogo e porque afinal resolvemos embarcar nesta empreitada…

Fase #1 – Início da Campanha de financiamento Coletivo do Violentina.

Dia primeiro de agosto, lançamos a Campanha de Financiamento Coletivo do Violentina.

Tínhamos a expectativa de alcançarmos nossa meta de R$2000,00 reais dentro do prazo de 30 dias. Mas não estávamos preparados para o que se sucedeu naquela manhã: Conseguimos alcançar a meta nas três primeiras horas!!!

Para uma análise mais aprofundada da experiência do primeiro dia, vale a pena dar Uma Olhada no Primeiro dia de Campanha do Violentina, na Área Cinza do Rocha.

http://www.areacinza.org/wp-content/uploads/2011/08/chart_1.jpg

Uma das coisas que descobrimos, foi que existe uma demanda interessante por acessórios de jogo [e eu achando que era o único geek de props de RPG...]. Digo isso porque as recompensas de valor mais alto – as 10 Violentinas no Caixão, e a Maleta Inferno – se esgotaram logo nos primeiros lances. O que já jogou o valor de contribuições a beira de alcançar a Meta. Além disso, houve uma enxurrada de jogadores exigindo mais destas recompensas! =D

A realidade naquela segunda parecia distorcida. Muitas pessoas voltaram a postar em seus blogs, sobre o que estava acontecendo, sendo dificultados a dar dados precisos, pela constante variação dos contadores do Movere.

A partir de segunda, a campanha deu uma amornada, o que é normal e esperado, a partir das análises que havíamos feito das outras campanhas na gringa. De qualquer forma, havia mais de 25 dias de campanha pela frente, e algumas demandas que ainda poderiam ser sanadas. Foi o momento de sentarmos e analisarmos as possibilidades daqui para frente…

Fase #2 – … e agora, Mané?

Ao fim da semana, já havíamos chegado a cima dos KR$3. Tínhamos de responder a altura e garantir mais vantagens e recompensas aos colaboradores. Eles merecem [até mais!], e agora com o valor acumulado, poderíamos preparar mais presentes.

Declaramos então, que se dobrássemos a meta, TODOS os colaboradores receberiam o PDF do livreto de Sementes, e para aqueles que contribuíram acima de R$50,00, ganhariam um bloquinho A5 com 50 Gabaritos de Papel.

Isso acabou de acontecer…

Mas ainda faltam 24 dias!!!

Sim, e mais novidades estão por vir. Imagine se conseguirmos alcançar a marca de R$5000,00…

O Rocha já avisou que espalhamos um galão de gasolina sobre o projeto. Estamos com a caixa e o palito de fósforo nas mãos, prestes a riscá-lo…

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Agradeço aos seguintes blogs pelo apoio e divulgação:

[se você escreveu algo sobre o Violentina e não encontrou seu blog na lista, deixe-me saber me dando um toque!]

http://www.secular-games.com

http://www.areacinza.org

http://www.minasmorgul.com.br

http://www.ooze.com.br

http://eugostodejogar.wordpress.com

http://www.falerpg.com.br

http://www.paragons.com.br

http://www.rpgonline.com.br

http://pensotopia.com.b

http://www.roleplayer.com.br

http://www.spellrpg.com.br

http://newtonrocha.wordpress.com

https://newsrpg.wordpress.com

http://www.dot20.com.br

http://redutodobucaneiro.blogspot.com

http://listaludica.blogspot.com

http://blog.taulukko.com.br

http://www.cavaleirosdasnoitesinsones.com.br

http://jagunco.tumblr.com

http://www.defensoresdetoquio.com

http://salacentoeum.blogspot.com

http://diedragonsdie.blogspot.com

http://eternalpoose.wordpress.com

http://metagamers.com.br

http://confrariadearton.blogspot.com

http://mib1602.wordpress.cm

http://www.garagemrpg.com.br

http://mousiverso.blogspot.com

http://viladorpg.wordpress.com

http://blogquarentaedois.wordpress.com

http://www.falerpg.com.br

http://eternalpoose.wordpress.com

http://www.abreojogo.com

http://guerrasdraconicas.wordpress.com

http://factoria.garagemrpg.com.br/

https://maisrpg.wordpress.com

http://masmorradescuidada.blogspot.com

http://www.grifonosso.com


Novidades sobre a Campanha de Financiamento Coletivo do Violentina

Secular Games anunciou durante a RPGCon 2011, realizada nos dias 9 e 10 de Julho, que seu próximo lançamento, o jogo Violentina de Eduardo Caetano, seria feito através do modelo de financiamento coletivo. Alguns dias se passaram enquanto fazíamos os últimos ajustes, e agora, com tudo pronto, é hora de darmos a largada nesta experiência!

Esperamos que o Violentina seja o primeiro jogo de RPG nacional lançado através de uma campanha de financiamento coletivo (e precisaremos de seu apoio para isso!). Mas o que é oViolentina, e que diabos é financiamento coletivo?

Violentina é um jogo sobre Violência, Vícios, Volúpia e Vingança desenfreados, onde os jogadores interpretam trapaceiros, mafiosos, femme fatales e autoridades corruptas em uma espécie de Colaboração Competitiva. Profundamente inspirado na estética e na narrativa dos filmes de Quentin Tarantino Guy RitchieVioletina utiliza um sistema baseado em cartas e fichas de poker afim de distribuir de forma equilibrada o controle narrativo entre os jogadores, transformando aspectos e características específicas deste tipo de filme em mecânicas de jogo. De acordo com esta proposta, Violentina é um Jogo de Contar Histórias sem mestre, sem preparo, sem ordem cronológica, baseado em enquadramentos de cena e na criatividade de todos os participantes.

Violentina vem sendo desenvolvido por Eduardo Caetano de maneira aberta – e a  versão mais atual do jogo pode ser baixada de graça – recebendo críticas e sugestões da comunidade, essenciais para o desenvolvimento do jogo. O lançamento através do financiamento coletivo é só mais um passo em seu processo de criação colaborativa e aberta!

E o que significa financiamento coletivo? Financiamento coletivo (ou crowdfunding) é o método de bancar um projeto através da contribuição antecipada daqueles interessados na iniciativa. Se o valor estipulado para a execução do projeto for alcançado, a parada acontece e todos os colaboradores recebem recompensas previamente combinadas de acordo com o seu nível de suporte. Se o valor não for alcançado, o projeto volta para a gaveta e nenhum colaborador é cobrado. Como um amigo nosso definiu muito bem, ao participar de uma iniciativa de financiamento coletivo, você se torna uma espécie de micro-sócio no projeto, contribuindo para sua execução, mas também recebendo coisas legais em troca caso ele realmente saia do papel (ou do site!) e se realize.

Bang!

A cada dia o financiamento coletivo se torna uma estratégia mais comum e eficiente para bancar projetos interessantes. Recentemente A Banda Mais Bonita da Cidadeconseguiu bancar a gravação de seu primeiro disco através do financiamento coletivo, e fora do Brasil vários jogos independentes tiveram campanhas decrowdfunding muito bem sucedidas, tais como o Do: Pilgrims of the Flying TempleTechnoir eStartup Fever só para citar alguns.

Queremos não só que o Violentina seja o primeiro jogo de RPG nacional lançado através do modelo de financiamento coletivo, mas também testar o formato e sua viabilidade do mercado nacional de jogos, abrindo portas para outras iniciativas independentes!

A campanha de financiamento coletivo do Violentina será feita no site Movere.me, e terá início no dia 01/08, próxima segunda-feira. A campanha terá a duração de 30 dias e tem como objetivo arrecadar R$1750,00 para a produção da tiragem inicial de 100 cópias do livro. Dentre as possibilidades de recompensa se encontram:

  • O download da versão final de em Violentina PDF.
  • A cópia impressa do livro autografado.
  • Par de baralhos exclusivos para o jogo.
  • Livreto impresso com 3 novas Tramas
  • Uma maleta super com uma versão do livro encadernada à mão e com todas as outras recompensas disponíveis e mais alguns itens exclusivos.

A contagem regressiva para o início da primeira campanha de financiamento coletivo para um RPG nacional começou! Se você quer ver esta iniciativa dar certo já pode contribuir antes mesmo do dia 1º de Agosto, divulgando este texto e a proposta para o maior número de pessoas que conseguir, espalhando o link para download da versão de playtest do Violentina, e nos enviando suas críticas e sugestões.

Façam suas apostas!

 

fonte:  Secular Games


Violentina já tem atualizações!

Olá pessoas!

Bem, o primeiro arquivo postado no Scribd de Violentina já foi atualizado!

Na verdade, faltavam no corpo do livro, todos os Gabaritos que auxiliam na realização do jogo, e que agora vão facilitar sua compreensão.

Para exemplificar a importância destes, deixo abaixo, os arquivos em PDF para download para que possam conferir, e quem for testar o jogo, utilizar estes Gabaritos.

Valeu pela força até agora de todo mundo!

Papel [PDF]

SEMENTES[PDF]

Mesa[PDF]

sinopse_inteiro [PDF]

Pra quem ainda não conhece o jogo:

[...e pra quem deseja a versão mais atualiada]


[Violentina] Finalizada a Versão1.0

Olá  Rolistas!

Finalmente!

Violentina – Versão 1.0 de Rascunho [para playtetes] está pronto!

Portanto venho aqui compartilhar com vocês o arquivo em PDF através do Scribd, que permite tanto a leitura on line, quanto o download.
Muito de vocês que visitam e comentam aqui no blog contribuíram para este jogo, ou demonstraram algum interesse e portanto sou imensamente grato por isso.


Estamos a uma semana da RPGCon, era de meu maior interesse que conseguisse terminar o primeiro texto antes do evento. Dessa maneira, perceberão que ainda é um texto cru, sem revisão, sem arte. O principal objetivo neste momento é permitir que vocês tenham conhecimento do jogo, percebam do que se trata, e se vierem a gostar, me ajudarem a divulgá-lo.

Portanto espalhe-o, distribua-o, copie-o, piratei-o. Jogue-o. Hackeie-o. Ele está licenciado sob Creative Commons, uso não-comercial compartilhamento pela mesma licença. Portanto não há problemas nisso

Em breve, se tudo der certo, tenho o intuito de tentar lançar o projeto de publicação do jogo, angariando investimento através de um site de Incentivo Coletivo, o http://movere.me/
Até lá, ainda tem muito trabalho pela frente, falta ainda incluir nas próximas versões:

  • Gabarito de Sinopse
  • Ilustrações
  • Diagramas Explicativos para algumas regras
  • Pequenos Exemplos de jogo para ilustrar as Regras
  • Um exemplo de uma Sessão completa de jogo
  • Algumas Regras Avançadas e Opcionais
  • Exemplos de como criar Outros Cenários e Genêros
  • Completar a Lista de Alcunhas

Estarei atualizando qualquer informação sobre Violentina, em meu blog:
http://rolistaindependente.wordpress.com/
ou diretamente:
http://rolistaindependente.wordpress.com/jogos/violentina/

Você pode acompanhar este e outros jogos no Garagem RPG:
http://www.garagemrpg.com.br/

Por incrível que pareça, já recebi alguns toques sobre erros no texto, que foram valiosíssimos!

Valeu demais pela força galera!!!

=]


A origem da mecânica básica de Violentina

Olá Rolistas. Estou prestes a terminar a primeira versão de playtest de Violentina, que disponibilizarei aqui para download. Estava então neste final de semana a escrever alguns textos completares que quero incluir no livro, e acabei por perceber que seria legal dividir com vocês, o texto final que fecha o livro, onde conto como surgiram algumas das primeiras idéias para a mecânica básica do jogo. Como algumas idéias sempre estiveram lá no fundo da minha mente, latentes, esperando pra serem cuspidas pra fora, resultado inevitável de como eu sempre me comportei em relação ao hobbie. De como eu sempre o abordei. Bom, sem mais, as Últimas Palavras do livro:

… uma última palavra

Bom, além de todas estas referências anteriores, existe mais uma, menos específica, que eu gostaria de compartilhar com vocês, sem tomar muito mais do seu tempo, pois acredito que ela diz muito sobre o que eu penso sobre RPG’s, sobre o processo de concepção inicial e desenvolvimento de um jogo, sobre o lugar de onde nascem as inspirações, sobre como precisamos enxergar as coisas sob outras perspectivas – “thinking outside the box” – para que possamos contribuir significantemente para o nosso querido hobbie.

Comecei a jogar RPG em 1995, com 14 anos, quando morava no interior de Minas Gerais, em Varginha. E sei lá o porquê, decidi começar a jogar essa bagaça. Comprei o Tagmar e comecei a mestrar para alguns amigos. É meu jogo de fantasia favorito. Comecei assim, mestrando, achando que estava fazendo tudo errado. Essa primeira experiência se tornou uma campanha de dois anos. E durante estes dois anos conheci muita gente e muitos jogos, fiz muitos amigos e descobri que o que eu gosto mesmo é de mestrar. O grupo cresceu tanto que se tornou um projeto de live action do Brasil by Night. Éramos cerca de 50 pessoas, mais o pessoal que vinha sempre do Rio, de São Paulo e BH pra jogar com a gente. Tive então de me mudar para Belo Horizonte, e inevitavelmente me afastei do meu querido grupo, meus queridos amigos. Por sorte e ocasião do destino, vim a morar em um prédio em que havia um jogador de RPG e uma cambada de criança que conhecia o jogo. E foi aí que surgiu a semente para Violentina que só viria a germinar mais de dez anos mais tarde.

Certa vez estávamos no pilotis do prédio, a jogar aquele jogo simples de Detetive, em que você escreve Assassino, Detetive e Vitima em papeizinhos a serem sorteados e mantidos em segredo, onde o assassino consegue matar a vitima apenas com uma piscadela, e o detetive deve apenas percebê-lo para capturá-lo, lembra–se? Pois bem, ao invés de bilhetes, utilizamos cartas de baralho: Rei para o Detetive e Ás para o Assassino.

Para sanar a abstinência de jogar Lives e me divertir com o pessoal do prédio, brotou na minha cabeça uma idéia deveras interessante. Reuni a criançada toda, cerca de oito ou nove, e as chamei para uma brincadeira de Polícia e Ladrão um pouco diferente. Para dar uma temperada no jogo, e torna-lo menos enfadonho àqueles que eram somente Vitimas, criei mais dois papéis coadjuvantes: O Repórter, e A Prostituta (não me julguem, eu era adolescente na época…), respectivamente o Valete e a Dama, comparsas do Detetive e do Assassino e que possuíam poderes menores. Eles podiam dedurar seus respectivos inimigos para seus Comparsas. A pegada do jogo, se você não se lembra, era ver quem descobria quem primeiro. Ou  o Detetive capturava o Assassino ganhando o jogo, se o visse piscando, ou o Assassino matava todo mundo e ganhava ele o jogo. Com o acréscimo dos comparsas, a dinâmica do jogo potencializou-se, criando uma rede de intriga, desconfiança e paranóia divertidíssimos! Acrescente a isso, o fato de jogarmos de pé, interpretando, como em um Live. Sempre em uma situação diferente: uma festa, um concerto, uma solenidade. Usávamos arminhas de brinquedo, e durante uma cena de quinze, vinte minutos, nos divertíamos a beça. Elas adoravam.

Eu também.

Mantive esta experiência dentre minhas lembranças preferidas. Até eu redescobrir o RPG uma década depois, e minha mente começar a perturbar-se com como as coisas haviam se desenvolvido na gringa desde então.

Sempre fui fã de Tarantino. E sempre me perguntava por que ainda não havia visto nada adaptado para RPG. Ao me interar com a cena independente e absorver, entender que era possível aplicar seus conceitos, foi só somar 2 e 2. Eu tinha então minha semente para a concepção do meu jogo Tarantinesco. Obviamente eu tive de jogar, aprender e deliberadamente me inspirar em outros jogos, como Fiasco e A Penny for my Thoughts e tantos outros.

Mas o embrião para este jogo que tem em mãos, foi concebido lá, há dez anos atrás, com um bando de crianças.

Keep Thinking Outside the Box…

Garotada do pilotis


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