A origem da mecânica básica de Violentina

Olá Rolistas. Estou prestes a terminar a primeira versão de playtest de Violentina, que disponibilizarei aqui para download. Estava então neste final de semana a escrever alguns textos completares que quero incluir no livro, e acabei por perceber que seria legal dividir com vocês, o texto final que fecha o livro, onde conto como surgiram algumas das primeiras idéias para a mecânica básica do jogo. Como algumas idéias sempre estiveram lá no fundo da minha mente, latentes, esperando pra serem cuspidas pra fora, resultado inevitável de como eu sempre me comportei em relação ao hobbie. De como eu sempre o abordei. Bom, sem mais, as Últimas Palavras do livro:

… uma última palavra

Bom, além de todas estas referências anteriores, existe mais uma, menos específica, que eu gostaria de compartilhar com vocês, sem tomar muito mais do seu tempo, pois acredito que ela diz muito sobre o que eu penso sobre RPG’s, sobre o processo de concepção inicial e desenvolvimento de um jogo, sobre o lugar de onde nascem as inspirações, sobre como precisamos enxergar as coisas sob outras perspectivas – “thinking outside the box” – para que possamos contribuir significantemente para o nosso querido hobbie.

Comecei a jogar RPG em 1995, com 14 anos, quando morava no interior de Minas Gerais, em Varginha. E sei lá o porquê, decidi começar a jogar essa bagaça. Comprei o Tagmar e comecei a mestrar para alguns amigos. É meu jogo de fantasia favorito. Comecei assim, mestrando, achando que estava fazendo tudo errado. Essa primeira experiência se tornou uma campanha de dois anos. E durante estes dois anos conheci muita gente e muitos jogos, fiz muitos amigos e descobri que o que eu gosto mesmo é de mestrar. O grupo cresceu tanto que se tornou um projeto de live action do Brasil by Night. Éramos cerca de 50 pessoas, mais o pessoal que vinha sempre do Rio, de São Paulo e BH pra jogar com a gente. Tive então de me mudar para Belo Horizonte, e inevitavelmente me afastei do meu querido grupo, meus queridos amigos. Por sorte e ocasião do destino, vim a morar em um prédio em que havia um jogador de RPG e uma cambada de criança que conhecia o jogo. E foi aí que surgiu a semente para Violentina que só viria a germinar mais de dez anos mais tarde.

Certa vez estávamos no pilotis do prédio, a jogar aquele jogo simples de Detetive, em que você escreve Assassino, Detetive e Vitima em papeizinhos a serem sorteados e mantidos em segredo, onde o assassino consegue matar a vitima apenas com uma piscadela, e o detetive deve apenas percebê-lo para capturá-lo, lembra–se? Pois bem, ao invés de bilhetes, utilizamos cartas de baralho: Rei para o Detetive e Ás para o Assassino.

Para sanar a abstinência de jogar Lives e me divertir com o pessoal do prédio, brotou na minha cabeça uma idéia deveras interessante. Reuni a criançada toda, cerca de oito ou nove, e as chamei para uma brincadeira de Polícia e Ladrão um pouco diferente. Para dar uma temperada no jogo, e torna-lo menos enfadonho àqueles que eram somente Vitimas, criei mais dois papéis coadjuvantes: O Repórter, e A Prostituta (não me julguem, eu era adolescente na época…), respectivamente o Valete e a Dama, comparsas do Detetive e do Assassino e que possuíam poderes menores. Eles podiam dedurar seus respectivos inimigos para seus Comparsas. A pegada do jogo, se você não se lembra, era ver quem descobria quem primeiro. Ou  o Detetive capturava o Assassino ganhando o jogo, se o visse piscando, ou o Assassino matava todo mundo e ganhava ele o jogo. Com o acréscimo dos comparsas, a dinâmica do jogo potencializou-se, criando uma rede de intriga, desconfiança e paranóia divertidíssimos! Acrescente a isso, o fato de jogarmos de pé, interpretando, como em um Live. Sempre em uma situação diferente: uma festa, um concerto, uma solenidade. Usávamos arminhas de brinquedo, e durante uma cena de quinze, vinte minutos, nos divertíamos a beça. Elas adoravam.

Eu também.

Mantive esta experiência dentre minhas lembranças preferidas. Até eu redescobrir o RPG uma década depois, e minha mente começar a perturbar-se com como as coisas haviam se desenvolvido na gringa desde então.

Sempre fui fã de Tarantino. E sempre me perguntava por que ainda não havia visto nada adaptado para RPG. Ao me interar com a cena independente e absorver, entender que era possível aplicar seus conceitos, foi só somar 2 e 2. Eu tinha então minha semente para a concepção do meu jogo Tarantinesco. Obviamente eu tive de jogar, aprender e deliberadamente me inspirar em outros jogos, como Fiasco e A Penny for my Thoughts e tantos outros.

Mas o embrião para este jogo que tem em mãos, foi concebido lá, há dez anos atrás, com um bando de crianças.

Keep Thinking Outside the Box…

Garotada do pilotis

Anúncios

5 Respostas para “A origem da mecânica básica de Violentina

  1. Dudu,
    que doido saber desses episodios que voce relatou. Lembrei da epoca que comecei a jogar rpg qnd morei em Salvador.. Nostalgico

    PS:falei com o Dedé pedindo prele ver o negocio da casa da prima de voces e ja estamos com passagens compradas com saida as 14h de vga no dia 8.

  2. Pingback: Avaliações do Game Chef Brasil 2014: Caça ao Assassino, de Paulo Diovani | Bar Mítico·

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s